Cuidar e se cuidar, mães!
Conheça mais sobre o espectro autista e por que a mãe deve se cuidar.
TERAPIAS NATURAIS
Cátia Aguiar
1/17/20264 min read


Há alguns anos atendo pessoas atípicas (TEA - Transtorno do Espectro autista) e o meu cliente mais antigo, neuroatípico é de Portugal. Eu o atendo desde os 9 anos e hoje já está com 13 anos. Na época em que iniciamos seus atendimentos eu disse à sua mãe que indicava a ela, também, que fizesse as sessões de terapia, afinal se não tiver com sua saúde mental em dia, como poderá auxiliar quem precisa de um olhar e um acolhimento diferenciado?
O que é um ser atípico? Hoje temos visto muitas publicações a respeito deles, desde materiais para auxiliar na aprendizagem, a podcasts, entrevistas, personalidades famosas que fazem relatos sobre como é ser atípico e o que passaram no passado, devido a ausência de informações e de uma ciência que compreendesse melhor quem eram, como são e por que nasceram assim? Obras literárias e científicas, autobiografias de adolescentes e adultos neuroatípicos, livros infantis, filmes, séries e etc. E a pergunta, atualmente, que mais ouvimos em escolas, em consultórios pediátricos e nas mídias sociais é “por que tem aparecido tantas pessoas autistas de uns tempos pra cá?”
Aparecido é estranho de se dizer e nada acolhedor, pois, nós não aparecemos do nada, nascemos de um ventre, viemos de uma família e temos uma história. A resposta a essa pergunta, se fosse feita a mim, seria que sempre existiram, que muitas famílias não sabiam encarar a situação, ainda há muitas que não conseguem, outras sem diagnóstico e com uma ciência, sem especialistas, não sabiam o que fazer, escolas que não sabiam ensinar a eles e outras tantas coisas que a melhor escolha foi escondê-los ou não apresentá-los como tal a sociedade. Mas a partir do momento em que as escolas, por uma mudança na lei, tiveram que aceitá-los em suas salas de aula, crianças conhecidas como “diferentes” e que viviam em escolas “especiais”, a situação mudou e uma janela se abriu para todos!
É fácil? Não. Mas quem é fácil de se conviver na sociedade? Que família se relaciona toda “perfeita” e nos moldes do que a sociedade considera “normal”? Até hoje não encontrei nenhuma, a começar da minha, nem nos 20 anos que lecionei em escolas, além das famílias que atendo ou já atendi. Portanto ninguém tem aparecido, apenas sendo reconhecido e podendo ser quem é. Nós, a sociedade, temos muito, ainda, a caminhar para reconhecer, entre nós mesmos, que somos apenas diferentes, que possuímos capacidades variadas, formas diversificadas de ver e compreender o mundo. Que sentimos, ouvimos, saboreamos, tocamos de forma muito singular, mas, que mesmo assim podemos nos socializar e conviver, sem que ninguém precise ser excluído.
Sendo esta temática tão atual e importante quero trazer, para ela , agora, as mães de pessoas neuroatípicas. Coloco pessoas porque há autistas em todas as faixas etárias, inclusive idosos. Tem se falado muito deles, mas é de seus cuidadores, em especial as mães? Claro que vamos ter cuidadores em todas as frentes, irmãos, avós, tios, babás e etc. Mas a abordagem vai ser sobre a mãe de filhos atípicos. Mães vocês se cuidam? Estendo essa fala à mães de filhos com outros transtornos, deficiências e etc.
É muito comum pessoas estarem exercendo papeis em que elas estão na função de quem cuida, mas não se cuida. Esse padrão é antigo e os profissionais, também, que exercem essa função do cuidar, são os que mais adoecem. Enfermeiras, médicos, professores, psicólogos, e tantos outros. Neste padrão entra a mãe. Corre pra lá, corre pra cá, busca ali, busca aqui, pesquisa, leva pra esse especialista, vai na escola, procura o que há de melhor e enfrenta tudo e todos, mas e ela? Quem cuida dela? Pergunta que todos devemos fazer a nós mesmos. Quem pára para ouvi-la, para lhe dar um abraço e oferecer os ombros pra ela chorar ou fazê-la rir? Mãe você cuida e chora, tudo isso pelo seu filho (a) e quando tira um tempo para cuidar de você, se ouvir, ter compaixão de si mesmo, experienciar menos cobrança, menos culpa, procurar alguém, um profissional que possa lhe acolher, ouvir e orientar?
Sei que a vida, às vezes, impõe escolhas, mas já parou para observar como tem andado nervosa, sem dormir, cansada, pernas doloridas, irritadíssima e sem vontade de ouvir ninguém? Que tem desejos, os quais sente culpa por tê-los e vergonha em dizê-los? Mãe você é humana e antes de ser mãe é um ser humano com desejos, sonhos, vontades, que erra, acerta, que procura fazer o melhor, mesmo quando não sabe o que fazer. Por que não procurar alguém, um profissional para te ouvir e você, se ouvir, junto a ele e começar a trilhar uma nova caminhada?
Como Terapeuta Holística e Neuroeducadora, indico as terapias holísticas e integrativas que auxiliam muito, tanto aos neuroatipicos como às suas mães, pois possuem um leque de ferramentas que podem ajudar, mesmo de forma online. Além de ser um atendimento que atinge os níveis mentais, emocionais, psíquicos, físicos e espirituais, tanto online como presencial!
O importante é fazer o movimento de encontro a si mesma. Com certeza carrega medos, dúvidas, ansiedades, angústias e raiva. Sim, a raiva, por que não? Ela faz parte das variadas emoções que vivenciamos e travamos dentro de nós.
A saúde mental é um conjunto de fatos, pensamentos, comportamentos e hábitos que vamos incorporando ao longo da vida e que em dado momento pode travar em consequência de que algo que faz parte deste conjunto venha se corromper e levar-nos a adoecer. Portanto cuidar da saúde mental é cuidar de você de forma integral e com consciência.
Se precisarem de uma orientação, uma palavra, uma escuta, estou à disposição! Luz e bênçãos no caminho de todos nós e vocês, mães, sempre há tempo de mudar o roteiro, portanto não perca tempo, se cuide e se ame!

